Nos últimos anos, a discussão sobre a gestão pública versus gestão privada tem sido um tema recorrente no debate político e econômico do país. E uma das principais questões levantadas é: qual é a melhor opção para garantir serviços de qualidade à população? Enquanto alguns defendem a privatização como forma de melhorar a eficiência e reduzir os custos, outros argumentam que a gestão pública é a única maneira de garantir a universalidade e a equidade no acesso aos serviços essenciais.
No entanto, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) traz à tona um outro aspecto importante dessa discussão: a responsabilidade da gestão privada em relação aos serviços prestados à população. De acordo com a FNAM, é comum que empresas privadas assumam a gestão de serviços públicos, como hospitais e unidades de saúde, mas quando surgem problemas, a culpa é sempre colocada na gestão pública, sem que haja uma análise mais aprofundada do papel da gestão privada nesses casos.
Para a FNAM, parece que há uma espécie de estratégia para culpar a gestão pública pelos problemas que surgem na gestão privada. E isso é preocupante, pois acaba desviando o foco da discussão sobre a eficiência e qualidade dos serviços prestados à população. Segundo a Federação, é preciso fazer uma “demonstração de benefício” da gestão privada, ou seja, mostrar que essa opção realmente traz melhorias e benefícios para a população.
Um dos principais argumentos utilizados pelos defensores da privatização é a redução de custos. No entanto, a FNAM questiona se essa redução é realmente significativa e se não acaba comprometendo a qualidade dos serviços prestados. Além disso, é importante lembrar que, ao optar pela gestão privada, o Estado acaba abrindo mão do controle sobre os serviços, o que pode gerar lacunas na fiscalização e no cumprimento de obrigações contratuais. Isso pode resultar em problemas como a falta de investimentos em infraestrutura e equipamentos, que prejudicam a qualidade do atendimento à população.
Outro aspecto importante levantado pela FNAM é a questão da universalidade e equidade no acesso aos serviços. É inegável que, quando se trata de saúde, educação e outros serviços essenciais, a gestão pública tem um papel fundamental na garantia de que todos tenham acesso igualitário. Já na gestão privada, a lógica de mercado pode acabar privilegiando aqueles que possuem mais recursos, deixando de lado aqueles que mais precisam.
Além disso, é preciso considerar a questão do lucro. Enquanto na gestão pública o objetivo é atender às necessidades da população, na gestão privada o objetivo principal é o lucro. E isso pode gerar conflitos de interesse, já que a busca pelo lucro muitas vezes pode estar em desacordo com o interesse público.
A FNAM também destaca a importância da valorização dos profissionais que atuam na área da saúde. A entidade afirma que, na gestão privada, os médicos e outros profissionais da saúde muitas vezes são submetidos a condições precárias de trabalho, com salários baixos e sobrecarga de horas. Isso pode afetar diretamente a qualidade do atendimento e comprometer a saúde dos profissionais, que acabam sofrendo com estresse e exaustão.
Diante desses aspectos, fica claro que a gestão privada não é a solução mágica para os problemas da gestão pública. É preciso considerar todas as questões envolvidas e fazer uma análise criteriosa antes de optar pela privatização de serviços essenciais. E, acima de tudo, é necessário garantir que a população tenha acesso a serviços de qualidade, independentemente de quem esteja ger

